Tenha novas perspectivas de gestão eclesial

Alguns componentes da administração merecem especial atenção dos gestores das dioceses e paróquias, tendo em vista à qualidade do funcionamento operacional interno da organização em si, e o caminhar harmonioso dessas entidades com o “modus vivendi” da sociedade contemporânea. Dentre esses, queremos refletir sobre o “feedback” e o incentivo ao capital humano, que possui grande representatividade na estrutura organo-funcional das organizações.

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Fundamentos preliminares

Na atualidade, a administração não compactua com métodos ultrapassados de administrar recursos humanos, como a prática do ponto para o controle rígido dos subordinados, tradução de uma mentalidade mecanicista, que avaliava a colaboração dos funcionários por meio da alta produção e da mensuração de sua presença no local do trabalho.

Outra questão a ser tratada na administração, em razão dos frutos que produz, é a colocação de pessoas em grau de dependência absoluta de superiores hierárquicos na organização, pois o estado de excessiva ou total dependência de um superior produz patologias gerenciais que afetam a saúde das pessoas e põem em risco a sobrevivência das organizações.  As instituições estáveis suportam certo grau de hierarquia, mas é fundamental a delegação de competência e responsabilidade, e a participação dos envolvidos na formulação de políticas da organização.      

Posturas gerenciais

A exigência de qualidade e de responsabilidade no exercício das funções hierárquicas e técnicas é um pressuposto da organização e da administração, além de ser uma exigência da sociedade contemporânea que impõe aos gestores mudanças estruturais na organização. Acrescente-se que na dinâmica funcional e operacional, no âmbito da gestão eclesial, todos os serviços devem utilizar as ferramentas indispensáveis* realizados com qualidade, à luz de princípios, e ancorados em valores e no saber esclarecido.

4 ferramentas indispensáveis

  1. Coordenação;
  2. Planejamento;
  3. Organização;
  4. Controle.

O conhecimento que o gestor possui é fundamental para o desempenho do seu papel. O pastor, geralmente, conduz o rebanho por um caminho conhecido. Ele mesmo antes já passou por ali ou por outros caminhos. E se o caminho lhe é desconhecido, o pastor busca, por meio da experiência e da prudência o caminho mais seguro. O gestor deve conhecer sua organização, seus objetivos e metas, conhecendo todos os processos imprescindíveis ao seu bom funcionamento.

A sabedoria do gestor

Outra exigência para o administrador é dar exemplo, tomar a iniciativa. Precisa também cuidar do grupo, estabelecendo estratégias na superação dos desafios.  Com isso, ele está reunindo seus colaborados para conduzi-los ao alcance das metas estabelecidas. É “conditio sine quanon” que traga do passado conhecimento, experiência e, como resultado, o efeito esperado. Em relação ao presente, precisa ter ampla e clara percepção. Quanto ao futuro, o administrador precisa ter visão. Estamos falando de conceitos ideais. Na prática, destaca-se a pessoa que consegue reunir a melhor combinação possível desses elementos.

Portanto, o administrador paroquial deve cuidar para construir um ambiente saudável, dinâmico, atuante, eliminando o desperdício de talentos e potencialidades do capital humano qualificado da Igreja. Para isso, precisa cercar-se de pessoas, detentoras de carismas diversos a serem inseridas na gestão eclesial, como assessores, no âmbito da administração ou da pastoral, com atividades delegadas que ajudarão o administrador no governo da paróquia. No entanto, ele não deve esquecer que ao administrador paroquial compete acompanhar o fiel cumprimento das atividades assumidas pelos assessores, garantindo, assim, o desenvolvimento harmônico dos envolvidos no processo, do esforço grupal e do alcance dos objetivos.

Novos rumos

O processo decisório é de competência do administrador e somente cabe a ele o que será feito, mas se é sábio, capaz e habilidoso, sua decisão obterá reconhecimento, respeito e apoio, sem agressões nem traumas, uma vez que o grupo reconhece que o objetivo está sendo buscado. É sempre salutar ouvir pessoas que tenham conhecimento e experiência, por isso, é importante investir na preparação de recursos humanos, capazes de desenvolver uma sensibilidade de leitura frente aos elementos objetivos e subjetivos no processo decisório. 

Dessa forma, o gestor eclesial assegura um eficiente e eficaz sistema de controle do exercício das funções hierárquicas de linha e da burocracia, a qualidade do desempenho funcional e das ações cotidianas de governo e administração, sem esquecer o exercício da ética e da equidade na vida paroquial.

Mons. Nereudo Freire Henrique é Presbítero e Ecônomo na CNBB, com formação em Ciências Sociais pela UNICAP/PE. Especialização em Psicopedagogia, pela FAFIMC/RS, MBA em Gestão de Pessoas pela UNIPÊ/PB e  MBA Gestão Empresarial pela FGV. 

Fonte: Revista Paróquias, ed. 18. Para ler mais matérias sobre Gestão Eclesial, assine já: (12) 3311-0665, (12) 99660-1989 ou [email protected]

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